27 de Setembro de 2009
16 de Setembro de 2009
Butterfly

Escrevo como as borboletas, que poisam por entre homens e gametas,
Eu me embriago pela cor do amor!
Meus olhos mel, tem a docilidade dum beijo
Meu corpo flutua diante do desejo
Sou no coração tão livre, como a luz do sol
Sou a menina que cresceu tão bruscamente
Em meio às vozes das ditames mentes
Sou borboleta que plaina d'ardor!
Mesmo ao frio, aqueço a alma fortemente
Sou arco-íris irradiando a cor
Sou o cáucaso que ostenta madrugadas
A lua fria, ou a amante amada
Sou a pedrinha que cobriu o pó
Sou a penumbra do meu corpo deslizando
Um gozo altivo sob a luz do canto
Sou voz caliente que carimba o amor
Meus pés doirados não são de Cinderela
Meus seios fartos são então quimeras
Que brotam o desejo ao arrebol
Sou quem te quer sereno e cativo
Mesmo distante como um pequeno passarinho
Alçando vôo sob a luz do sol
Quem sabe eu já não pertença a este mundo
Quão louca esteja enredando ao fundo
Meu canto lírico, que peregrina ardor
Sou o acéfalo, metaforando o dia
Sou neologismo em sincrônica poesia
Sou eu quem ama ser e não parecer quem sou!
Ledalge
10 de Setembro de 2009
9 de Setembro de 2009
1 de Setembro de 2009
2 de Agosto de 2009
26 de Julho de 2009
Mais um fim de semana a matar saudades de Lisboa
Jantar cedo com amigos na Trindade
Passeio pela baixa ao entardecer
Exposição à noite
Amanhã será um novo dia. Passear tirar umas fotos
e talvez outra exposição.É bom estar de volta.
Tenho fome desta cidade!
Custa cada vez mais partir!
25 de Julho de 2009
14 de Julho de 2009
12 de Julho de 2009
5 de Julho de 2009
A não perder na Gulbenkian

Orquestra Imperial em dois concertos este fim-de-semana: sábado (21h30) e domingo (19h), no Anfiteatro ao ar livre. PARA “CURTIR E DANÇAR”: Um grupo de amigos – da vanguarda da cena musical carioca – formou uma típica orquestra de gafieira, com repertório variado, de boleros e temas dos anos 60, clássicos da cultura de salão, com novos arranjos.
Eu estive lá ontem e recomendo! Muito bom!
27 de Junho de 2009
26 de Junho de 2009
25 de Junho de 2009
A Catedral do Mar
Fugindo da servidão da terra e dos abusos de um senhor feudal, Bernat Estanyol chega a Barcelona com o seu filho Arnau nos braços. Após um ano e um dia a viver na cidade torna-se cidadão e, assim, num homem livre.
Estamos em 1320, e por estes tempos Barcelona é uma cidade próspera; cresceu até ao limite oriental, onde se situa o bairro dos pescadores, cujos habitantes decidem construir, com o dinheiro de uns e o esforço de outros um grande templo dedicado à sua padroeira: Santa Maria de la Mar.
É neste enquadramento tendo por pano de fundo a construção da igreja, que se desenrola a trama do romance. Paralelamente assistimos à evolução da atribulada vida de Arnau Estanyol, entre o casamento de seus pais em 1320 até á inauguração do templo em 1384. Nascido na servidão, Arnau vive uma vida repleta de reveses, foi palafreneiro, trabalhou como descarregador dos navios, guerreiro, cambista. Esteve às mãos da inquisição, foi amigo de mouros e judeus e por casamento recebeu o título de barão. Viveu lado a lado com o perigo, a injustiça, a ganância e a morte.
Sem dúvida um romance fascinante, que prende desde as primeiras palavras.
24 de Junho de 2009
23 de Junho de 2009
Procuro-te

Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.
Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"
Urgentemente
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"
22 de Junho de 2009
Levar-te à boca
beber a água
mais funda do teu ser -
se a luz é tanta,
como se pode morrer?
Eugénio de Andrade
17 de Junho de 2009
13 de Junho de 2009
"I know not what tomorrow will bring... "
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro
31 de Maio de 2009
29 de Maio de 2009
11 de Maio de 2009
Marionetas em Lisboa

FIMFA Lx9
FESTIVAL INTERNACIONAL
DE MARIONETAS
E FORMAS ANIMADAS
7 de Maio a 7 de Junho de 2009
Marionetas ‘okupam’ Lisboa !
A maior edição de sempre do FIMFA!
A marioneta apenas conhece a liberdade que o teatro perdeu.
Ela vira obstinadamente as costas ao real.
Gaston Baty
A marioneta deixou o seu gueto para encontra um lugar de importância na comunidade artística em sentido lato. Podemos falar de um processo de enriquecimento da marioneta. Ela encontra-se a partir de agora no centro da arte contemporânea.
Henryk Jurkowski
A Tarumba-Teatro de Marionetas realiza em Lisboa a 9ª edição do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas – FIMFA Lx, com direcção artística de Luís Vieira. Um projecto renovador e aberto a novas tendências, de dimensão internacional, que pretende promover e divulgar uma área específica de expressão artística: o universo das formas animadas.
Retirado daqui - http://fimfalx.blogspot.com
5 de Maio de 2009
30 de Abril de 2009
24 de Abril de 2009
Uma Gaivota Voava
nítidas que tenho desse tempo são esta música e de ouvir
o meu pai dizer à minha mãe que se estava a passar alguma
coisa. Tudo o resto são memórias nebulosas.
Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.
Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.
Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo cualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.
Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.
Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.
Letra e música: Ermelinda Duarte
13 de Abril de 2009
12 de Abril de 2009
6 de Abril de 2009
22 de Março de 2009
E porque...
e a Primavera pode aparecer mesmo no dia mais cinzento
Ontem foi noite de Milonga
Gotan Project : Santa María (del Buen Ayre)
Milonga
A milonga originou-se de uma forma de canto e dança da Andaluzia, Espanha, que, nos fins do século XIX, popularizou-se nos subúrbios de Montevidéu e Buenos Aires. No Brasil a milonga tem destaque no estado do Rio Grande do Sul, fazendo parte das tradições gaúchas.
Também são chamados milongas os bailes onde se dança o Tango e, por extensão, aos locais onde esses bailes se realizam. Tradicionalmente, numa milonga baila-se o Tango, a milonga e o vals cruzado, ou vals argentino (uma variante da valsa Vienense). Outros ritmos típicos que se podem encontrar numa milonga, são chacarera e a salsa.
Retirado daqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Milonga
14 de Março de 2009
11 de Março de 2009
8 de Março de 2009
5 de Março de 2009
Pequenos gestos que podem fazer toda a diferença!
No dia 28 de Março podes votar pela TERRA desligando as luzes durante uma hora entre as
20:30 e as 21:30 (em Portugal).
Ou podes votar pelo aquecimento global, deixando as luzes acesas.
Os resultados das eleições vão ser apresentados na Conferência Global para as alterações
climáticas, em Copenhaga 2009. Queremos 1 bilião de votos para a TERRA, para dizer aos líderes
mundiais que temos de tomar medidas contra o aquecimento global.
www.voteearth2009.org
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto (1962)
19 de Fevereiro de 2009
O naturalismo na pintura portuguesa
18 de Fevereiro de 2009
15 de Fevereiro de 2009
9 de Fevereiro de 2009
4 de Fevereiro de 2009
3 de Fevereiro de 2009
2 de Fevereiro de 2009
28 de Janeiro de 2009
21 de Janeiro de 2009
18 de Janeiro de 2009
3 de Janeiro de 2009
29 de Dezembro de 2008
12 de Dezembro de 2008
11 de Dezembro de 2008
9 de Dezembro de 2008
8 de Dezembro de 2008
Adeus
Foi difícil aceitar a verdade
Foi difícil viver com a desilusão
Foi difícil perder um amigo
Porque não eras tu
Porque continua a doer
Porque exijo sempre mais
Porque amizade é confiança
Nunca irás perceber
Nunca te irei explicar
Morremos um para o outro
Mas talvez o sonho de termos existido
Adeus meu amigo
Esta não era a nossa hora.
7 de Dezembro de 2008
1 de Dezembro de 2008
28 de Novembro de 2008
"Não se perdeu nenhuma coisa em mim"
Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.
Sophia de Mello Breyner Andresen
24 de Novembro de 2008
23 de Novembro de 2008
MIAU
Eugénio de Andrade
11 de Novembro de 2008
10 de Novembro de 2008
9 de Novembro de 2008
8 de Novembro de 2008
"The game's afoot"
(...) London's stories seep out of its walls, rise up from the foundations laid by the Romans two thousand yeares ago, up through its sewers, buried rivers, and tube tunnels, and out through the pavements. They wind their way through twisting alleyways that formed themselves so long ago, before the order of the grid system could be placed upon them. They whisper their secrets through the marketplaces where every language on earth is and has been spoken; every measure of trade haggled over, from fruit and veg to children's lives. They drift up at night from the corrents of Old Father Thames, through the temples of commerce that form the Square Mile, across the halls of Parliament, the Cathedrals laid by Norman Kings, the tunnels dug by Victorian engineers.
Covent Garden - Marketplace
The world's first underground railway (1863).
Listen to London for long enough and the city will impart in your own notion; your own form of navigation through the maps laid down over centuries; your own heart's topography of the metropolis. Your soul blends with the walls and pavements, the tunnels and spires, the street markets and the stock exchanges. But is that notion really your own, or has the suggestion been planted, the story already written long ago? (...)
Cathi Unsworth, in London noir
6 de Novembro de 2008
5 de Novembro de 2008
4 de Novembro de 2008
3 de Novembro de 2008
2 de Novembro de 2008
10 de Outubro de 2008
7 de Outubro de 2008
...deliciem-se...
ARTIGO DE NUNO MARKL P/ OS TRINTÕES/QUARENTÕES
A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
'Quem?', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?
A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.
Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.
O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...
E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.
Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!
E pior, nunca caiu de uma. É um mole.
Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.
Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.
Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.
Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.
Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho...
Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.
Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.
Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.
No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.
Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.
Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.
E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?
E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.
Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.
Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.
Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.
Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.
É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.'
(Nota: ...os chocolates não eram gamados no 'Pingo Doce'... Ainda se chamava 'Pão de Açúcar'!!!)
24 de Setembro de 2008
18 de Setembro de 2008
7 de Setembro de 2008
6 de Setembro de 2008
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O' Neill
4 de Setembro de 2008
que perfeito coração
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre O'Neill
24 de Agosto de 2008
21 de Agosto de 2008
as primeiras coisas eram verdes ou azuis
duras esmeraldas umas, outras animais, vibrantes
quando lhes toca a luz; o mais das vezes encostados
à parede do estábulo, com grandes olhos húmidos
e um precipício ao fundo ( e as nuvens são o seu bafo).
e no entanto, visto à distância exacta, tudo se transforma:
o cenário do mundo é só um infinito espaço
cheios de coisa nenhuma, e a luz o puro efeito
de dois deuses menores que marcam o compasso.
é certo que, na chuva, o teu corpo anuncia
com seu distante olhar, um prazer que não cabe
na estreiteza da fábula; um céu, não duvidemos,
acolhe o terno gesto que não foi.
já na parede a meio branca traço, a contragosto,
o tempo mal passado que apodrece, e numinante encosto
ao tampo de água o bico ou pincel fosco
onde surgira, de repente, nada.
os portões oscilam, e a erva adiante, se nos aproximamos.
claramente vejo como te divides
num infinito número simultâneo de mundos.
as palavras celebram, mudas, a água na paisagem,
verde ou azul, conforme desejaste.
avanço imóvel, descalço sobre a erva,
e quando fecho os olhos invade-me a luz por dentro
compacta, completa, como as coisas primeiras.
António Franco Alexandre
18 de Agosto de 2008
9 de Agosto de 2008
Behind the Door.... The Past, The Future
4 de Agosto de 2008
HiNo à ViDa
quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda
28 de Julho de 2008
26 de Julho de 2008
18 de Julho de 2008
16 de Julho de 2008
15 de Julho de 2008
14 de Julho de 2008
You've got mail!
Da minha janela vejo caminhos antigos, árvores centenárias, vejo os arrozais do Sado pejados de cegonhas e garças brancas. Aqui e ali pequenas represas de água, patos e mais garças.
Vejo gente na lida do campo, que a agricultura não tem fins-de-semana, alguns cavalos, vacas e ovelhas.
Vejo casas, que por estes dias ostentam ainda a bandeira em sinal de um orgulho dito nacional que me custa compreender. Custa-me porque são, provavelmente, muitas destas gentes, que se sentem tão portuguesas na hora de gritar pela selecção, que se esquecessem do seu dito patriotismo quando se trata de preservarem o meio ambiente onde vivem. Porque da minha janela também vejo o mato cheio de lixo. Aterros com os restos daquela casa de banho e daquela cozinha que se reformulou. Daquela parede que foi deitada abaixo para construir mais um quarto. Também lá está o antigo sofá amarelo-torrado, e ali ao fundo o velho frigorifico. Tudo isto se vê da minha janela enquanto o comboio vai descendo desde Lisboa.
Para cá da janela há outras gentes, não mais cívicas que as outras do lado de fora. Aliás, nos dias que correm parece que isso do civismo é coisa rara, diria mesmo produto de excelência, de consumo muito reduzido. Uma espécie de gourmet das relações humanas. Quando na verdade deveria ser um bem de primeira necessidade, vital e livre de impostos.
Agora também vejo a Lua que está quase cheia, e um sentimento amargo percorre todo o meu corpo ao pensar que te perdi sem nunca te ter tido. Talvez nunca vá conseguir dizer-te o que sinto, escondendo-me sempre atrás da máscara que criei. Sou uma farsa! Tão forte e determinada para quase tudo, mas completamente perdida, cheia de medos e dúvidas no que toca aos sentimentos mais profundos, mais íntimos.
Tudo isto vai passando à frente dos meus olhos enquanto o comboio desce, agora pelos campos dourados do meu Alentejo. Daqui a nada entraremos na serra, a minha paixão visceral. O cheiro da esteva e do mato num final de tarde de verão. O cheiro da brisa do mar que a muito custo sobe até estas paragens, as andorinhas e a passarada de mil cores que vão regressando a casa num chilrear ensurdecedor e inebriante. A dormência do fim de tarde nas faldas da serra algarvia. Saudades! Saudades de tempos felizes. De dias claros e noites passadas à conversa, a ver as estrelas, a via láctea, a lua. Parecia tudo mais fácil naquele tempo. O que se perdeu? Onde me perdi? Acho que foi algures entre a razão e sítio nenhum! Quando foi que desaprendi que o amor não conhece a razão, ou então não é amor? Quis controlar os meus sentimentos com medo de sair magoada. Acabei apaixonada e magoada por nunca ter tido coragem para te demonstrar o que sinto.
A lua continua lá no alto. Daqui a uns dias estarás a vê-la cheia, esplendorosa num céu negro como breu ao lado de outra que não eu. Ficará para sempre registada na tua memória.
Entrámos na Serra. O terreno é mais sinuoso, os cerros estão cobertos de sobreiros e azinheiras. Aqui e acolá algumas manchas de eucaliptos, resultantes de consecutivos fogos. Surgem pequenos montes abandonados, alguns, poucos, ainda têm alma. Vagarosamente vamos descendo para uma latitude mais a Sul, onde o mar tem a cor dos teus olhos. O Sol está cada vez mais baixo e vai dourando os cerros. O jogo de luz e sombra é um deleite para a vista. Pequenos vales verdejantes surgem por vezes no horizonte. Terra agreste e tão amada! O xisto aflora e a vegetação parece brotar das pedras. Por vezes um ribeiro, um pego de água.
E o comboio vai descendo.....
13 de Julho de 2008
12 de Julho de 2008
10 de Julho de 2008
9 de Julho de 2008
3 de Julho de 2008
1 de Julho de 2008
Blowin' in the Wind
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
The Freewheelin' Bob Dylan, 1963
30 de Junho de 2008
29 de Junho de 2008
27 de Junho de 2008
I want you
Fui ver o Filme I'm not There e gostei!Fiquei com vontade de voltar a ouvir Bob Dylan, por isso aqui vai...
26 de Junho de 2008
24 de Junho de 2008
Porque eu sou do tamanho do que vejo...
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro
23 de Junho de 2008
19 de Junho de 2008
18 de Junho de 2008
Unpredictable.......

ABOUT THIS BOOK
A black swan is a highly improbable event with three principal characteristics: It is unpredictable; it carries a massive impact; and, after the fact, we concoct an explanation that makes it appear less random, and more predictable, than it was. The astonishing success of Google was a black swan; so was 9/11. For Nassim Nicholas Taleb, black swans underlie almost everything about our world, from the rise of religions to events in our own personal lives.Why do we not acknowledge the phenomenon of black swans until after they occur? Part of the answer, according to Taleb, is that humans are hardwired to learn specifics when they should be focused on generalities. We concentrate on things we already know and time and time again fail to take into consideration what we don’t know. We are, therefore, unable to truly estimate opportunities, too vulnerable to the impulse to simplify, narrate, and categorize, and not open enough to rewarding those who can imagine the “impossible.” (...)
Excerto de uma critica retirada do site: http://www.randomhouse.com/
17 de Junho de 2008
16 de Junho de 2008
14 de Junho de 2008
O Guardador de Rebanhos
Foto de Miguel Almeida
II
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
Alberto Caeiro
11 de Junho de 2008
As minhas Cidades (II)
4 de Junho de 2008
31 de Maio de 2008
Porque vale sempre a pena....
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e que posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa
28 de Maio de 2008
27 de Maio de 2008
Fábulas

"No jardim do Éden havia de tudo: fígado de aves, rinzinhos, carne picada, peixinhos vermelhos e malgas de leite. Mas havia também algo incomestível: "a espinha de peixe proibida", que crescia no meio desse magnífico paraíso terrestre. Um dia, Miau-Miau, a primeira gata, encontrou o diabo disfarçado de rato ..."
Fábula de Veneza
26 de Maio de 2008
25 de Maio de 2008
24 de Maio de 2008
Os companheiros do crepúsculo

de François Bourgeon
"Esta durou, diz-se, cem anos...
nada a distinguiu verdadeiramente daquela que a precedeu nem da que se lhe seguiu...
como o granizo ou a peste, a guerra abate-se sobre os campos quando menos se espera, de preferência, quando os trigais estão pesados e as jovens são belas..."
O Sortilégio do Bosque das Brumas
Os Olhos de Estanho da Cidade Glauca
O Ultimo Canto das Malaterre
23 de Maio de 2008
22 de Maio de 2008
21 de Maio de 2008
20 de Maio de 2008
Matar a imagem
Era como se a história a devorasse o tempo todo. Os dias eram feitos de manhãs no café, o bloco de notas ao lado do jornal, frases incertas anotadas na escuridão do cinema, a máquina de escrever e os dedos magoados, a depressão violenta ao ir para a cama.
Naquela manhã, despertou com uma estranha sensação de vazio. Dormira a noite toda, não se lembrava dos sonhos, dormira mesmo, profundamente. O vampiro não estivera ali. Riu baixinho das conotações eróticas da ideia do vampiro. O Woody Allen escrevera uma história de vampiros. Brincou por instantes com a fantasia de fazer o mesmo.
De repente, lembrou-se de algo e soergueu-se na cama. Não havia cadernos e folhas espalhados na secretária, a máquina estava tapada, o cinzeiro a abarrotar... Terminara o livro. Terminara-o na noite anterior e guardara as folhas dactilografadas na gaveta e... os seres fantasmagóricos que tinham vivido naquele quarto durante tanto tempo tinham ido embora.
Afastou a roupa e ficou por instantes a olhar as pernas longas e delgadas. Pensou vagamente que precisava de apanhar sol. Depois levantou-se e caminhou descalça para a secretária. Pôs os dedos na gaveta, devagarinho, mas não a abriu. Estremeceu com a ideia de reler uma única página. Com passos lentos, aproximou-se da janela.
A manhã azul de Lisboa atrás dos edifícios cinzentos e incaracterísticos. As árvores já tinham folhas, já deviam tê-las há meses, mas ela não o notara. Era como se não visse nada daquilo Há muito tempo, como se tivesse estado longe, muito longe. E estivera.
– Na quinta dimensão – murmurou, com o rosto contraído.O relógio na mesa-de-cabeceira marcava nove e cinco.
O que queria dizer que faltavam dois minutos para as nove. Ligou o rádio. Ouviu a voz de Leonard Cohen, numa canção antiga de que gostava muito:
just take this longing from my tongue
and all the useless thing my hands have done
As palavras entraram nela, uma a uma, tocando fundo. E então a depressão chegou, violenta, gelada, e ela encolheu-se um pouco, numa atitude de defesa.
Estava só. As personagens com as quais vivera ultimamente tinham partido e ela estava só. Ficara um monte de folhas dentro de uma gaveta, folhas que ela não tinha coragem de reler. Que mandaria para uma editora qualquer e seriam inevitavelmente devolvidas, como acontecera com as precedentes.
Estar só era também sentir que a sua vida não fazia qualquer sentido para os que viviam à sua volta. Mas isto era pior. Os momentos em que a sua vida não fazia qualquer sentido para ela própria.
all the useless thing my hands have done
fez a cama, ou antes, puxou descuidadamente para cima os lençóis brancos e a colcha azul. Encostou à almofada o Vítor, o boneco vagabundo, de capa com remendos e uma corda amarrada à volta do chapéu. Quando o comprara, pensara que era um palhaço, mas não, era um vagabundo, ou talvez um palhaço vagabundo, de grandes olhos azuis e cabelos cinzentos.
Foi tomar um duche. A água quente e o perfume verde do gel de banho fizeram-na sentir-se um pouco melhor. Quando voltou, o locutor dizia a temperatura máxima prevista para Lisboa: vinte graus.
Vestiu uns jeans, uma blusa verde de manga comprida. Não usava qualquer jóia, nem relógio de pulso. Passou um pouco de água-de-colónia no pescoço.
Penteou-se à frente do espelho, estudando o rosto bonito, de olhos claros, o cabelo quase louro que lhe chegava aos ombros, o sinalzinho na ponta do nariz, à volta dos olhos começavam a surgir rugas pequeninas. Fechou-os com força, matando a imagem que detestava profundamente.
in Matar a imagem, de Ana Teresa Pereira


















































































