12 de Abril de 2012

Morre Lentamente...


"Morre Lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma num escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não não muda as marcas no supermercado,
quem não arrisca vestir uma cor nova,
quem não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco"
e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite,
uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o 
simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!"

Pablo Neruda


11 de Junho de 2010

A Menina do Mar

"Era uma vez uma casa branca nas dunas, voltada para o mar.
Tinha uma porta, sete janelas e uma varanda de madeira pintada de verde.
Em roda da casa havia um jardim de areia onde cresciam lírios brancos e
uma planta que dava flores brancas, amarelas e roxas."

Sophia de Mello Breyner Andresen

Profundo Azul


Estrela do Mar

18 de Maio de 2010

Madredeus - Teresa Salgueiro - "Coisas pequenas".






Coisas pequenas são
coisas pequenas
são tudo o que eu te quero dar
e estas palavras são
coisas pequenas
que dizem que eu te quero amar.

Amar, amar, amar
só vale a pena
se tu quiseres confirmar
que um grande amor não é
coisa pequena
que nada é maior que amar.

E a hora
que te espreita
é só tua.
Decerto, não será
só a que resta;
a hora
que esperei a vida toda
é esta.

E a hora
que te espreita
é derradeira.
Decerto já bateu
à tua porta.
A hora
que esperaste a vida inteira
é agora.

8 de Maio de 2010

Uma Paixão

Visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e
surpreende-me com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas e
o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem antes que desperte em mim o grito de alguma terna Jeanne Hébutern e
a paixão derrama-se quando a tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo os olhos escancarados para a infindável água
vem com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te


Al-Berto

5 de Janeiro de 2010

Sacode as nuvens

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.

Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.


Sophia de Mello Breyner

30 de Dezembro de 2009

Balanço de 2009

Os três desejos que tive para 2009 http://moleskinephotoblog.blogspot.com/2008_12_01_archive.html cumpriram-se. Tive sempre os amigos por perto. Foi tempo de renascimento, mas este assunto é apenas meu pelo que não o vou partilhar aqui. Por fim tive muitos dias claros de céu azul e mar calmo, é claro que também houve tempestades, mas como diz o ditado, depois da tempestade vem a bonança.

16 de Setembro de 2009

Butterfly


Escrevo como as borboletas, que poisam por entre homens e gametas,
Eu me embriago pela cor do amor!
Meus olhos mel, tem a docilidade dum beijo
Meu corpo flutua diante do desejo
Sou no coração tão livre, como a luz do sol
Sou a menina que cresceu tão bruscamente
Em meio às vozes das ditames mentes
Sou borboleta que plaina d'ardor!
Mesmo ao frio, aqueço a alma fortemente
Sou arco-íris irradiando a cor
Sou o cáucaso que ostenta madrugadas
A lua fria, ou a amante amada
Sou a pedrinha que cobriu o pó
Sou a penumbra do meu corpo deslizando
Um gozo altivo sob a luz do canto
Sou voz caliente que carimba o amor
Meus pés doirados não são de Cinderela
Meus seios fartos são então quimeras
Que brotam o desejo ao arrebol
Sou quem te quer sereno e cativo
Mesmo distante como um pequeno passarinho
Alçando vôo sob a luz do sol
Quem sabe eu já não pertença a este mundo
Quão louca esteja enredando ao fundo
Meu canto lírico, que peregrina ardor
Sou o acéfalo, metaforando o dia
Sou neologismo em sincrônica poesia
Sou eu quem ama ser e não parecer quem sou!


Ledalge

26 de Julho de 2009

In the neighborhood

Mais um fim de semana a matar saudades de Lisboa

Cinema a meio da tarde
Jantar cedo com amigos na Trindade
Passeio pela baixa ao entardecer
Exposição à noite

Amanhã será um novo dia. Passear tirar umas fotos
e talvez outra exposição.É bom estar de volta.

Tenho fome desta cidade!
Custa cada vez mais partir!

5 de Julho de 2009

A não perder na Gulbenkian



Orquestra Imperial em dois concertos este fim-de-semana: sábado (21h30) e domingo (19h), no Anfiteatro ao ar livre. PARA “CURTIR E DANÇAR”: Um grupo de amigos – da vanguarda da cena musical carioca – formou uma típica orquestra de gafieira, com repertório variado, de boleros e temas dos anos 60, clássicos da cultura de salão, com novos arranjos.


Eu estive lá ontem e recomendo! Muito bom!

As Portas do Templo



A Casa

Fim de tarde em Lisboa