27 de Setembro de 2009

A cidade desconhecida....





16 de Setembro de 2009

Butterfly


Escrevo como as borboletas, que poisam por entre homens e gametas,
Eu me embriago pela cor do amor!
Meus olhos mel, tem a docilidade dum beijo
Meu corpo flutua diante do desejo
Sou no coração tão livre, como a luz do sol
Sou a menina que cresceu tão bruscamente
Em meio às vozes das ditames mentes
Sou borboleta que plaina d'ardor!
Mesmo ao frio, aqueço a alma fortemente
Sou arco-íris irradiando a cor
Sou o cáucaso que ostenta madrugadas
A lua fria, ou a amante amada
Sou a pedrinha que cobriu o pó
Sou a penumbra do meu corpo deslizando
Um gozo altivo sob a luz do canto
Sou voz caliente que carimba o amor
Meus pés doirados não são de Cinderela
Meus seios fartos são então quimeras
Que brotam o desejo ao arrebol
Sou quem te quer sereno e cativo
Mesmo distante como um pequeno passarinho
Alçando vôo sob a luz do sol
Quem sabe eu já não pertença a este mundo
Quão louca esteja enredando ao fundo
Meu canto lírico, que peregrina ardor
Sou o acéfalo, metaforando o dia
Sou neologismo em sincrônica poesia
Sou eu quem ama ser e não parecer quem sou!


Ledalge

10 de Setembro de 2009

Plenilunium

9 de Setembro de 2009

Intervalo para almoço (clik! clik!)





Praia do Martinhal, Sagres


1 de Setembro de 2009

Viagens

Sunset



Upside down



Praia do Amado

2 de Agosto de 2009

É mesmo

Logo ali na curva....

26 de Julho de 2009

In the neighborhood

Mais um fim de semana a matar saudades de Lisboa

Cinema a meio da tarde
Jantar cedo com amigos na Trindade
Passeio pela baixa ao entardecer
Exposição à noite

Amanhã será um novo dia. Passear tirar umas fotos
e talvez outra exposição.É bom estar de volta.

Tenho fome desta cidade!
Custa cada vez mais partir!

25 de Julho de 2009

"Kill all my demons and my angels might die too"

14 de Julho de 2009

Playing with tecnological brushes



12 de Julho de 2009

NS

Texturas (V)

5 de Julho de 2009

A não perder na Gulbenkian



Orquestra Imperial em dois concertos este fim-de-semana: sábado (21h30) e domingo (19h), no Anfiteatro ao ar livre. PARA “CURTIR E DANÇAR”: Um grupo de amigos – da vanguarda da cena musical carioca – formou uma típica orquestra de gafieira, com repertório variado, de boleros e temas dos anos 60, clássicos da cultura de salão, com novos arranjos.


Eu estive lá ontem e recomendo! Muito bom!

As Portas do Templo



A Casa

Fim de tarde em Lisboa




27 de Junho de 2009

...

Fortaleza de Beliche


26 de Junho de 2009

Mais além

Farol do Cabo de S. Vicente

Sagrado e Profano


25 de Junho de 2009

...



Bleu sang, Enki Bilal

Les Cités Imaginaires (VII)



Babel por Brueghel o velho

A Catedral do Mar




Fugindo da servidão da terra e dos abusos de um senhor feudal, Bernat Estanyol chega a Barcelona com o seu filho Arnau nos braços. Após um ano e um dia a viver na cidade torna-se cidadão e, assim, num homem livre.

Estamos em 1320, e por estes tempos Barcelona é uma cidade próspera; cresceu até ao limite oriental, onde se situa o bairro dos pescadores, cujos habitantes decidem construir, com o dinheiro de uns e o esforço de outros um grande templo dedicado à sua padroeira: Santa Maria de la Mar.

É neste enquadramento tendo por pano de fundo a construção da igreja, que se desenrola a trama do romance. Paralelamente assistimos à evolução da atribulada vida de Arnau Estanyol, entre o casamento de seus pais em 1320 até á inauguração do templo em 1384. Nascido na servidão, Arnau vive uma vida repleta de reveses, foi palafreneiro, trabalhou como descarregador dos navios, guerreiro, cambista. Esteve às mãos da inquisição, foi amigo de mouros e judeus e por casamento recebeu o título de barão. Viveu lado a lado com o perigo, a injustiça, a ganância e a morte.

Sem dúvida um romance fascinante, que prende desde as primeiras palavras.

24 de Junho de 2009

O sonho do monstro, ou o monstro que sonha....

Cegonhas

23 de Junho de 2009

Procuro-te


Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.

Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"

Urgentemente

É urgente o amor
É urgente um barco no mar

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"

22 de Junho de 2009

Levar-te à boca

Levar-te à boca,
beber a água
mais funda do teu ser -

se a luz é tanta,
como se pode morrer?


Eugénio de Andrade

17 de Junho de 2009

Voar....

13 de Junho de 2009

"I know not what tomorrow will bring... "

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro

31 de Maio de 2009

O futuro no passado. Premonição ou apenas coincidência, ou nada disso....

Outra cidade com o rio aos pés

A outra margem

29 de Maio de 2009

Enigmas

11 de Maio de 2009

De regresso ao Reino dos Algarves

Depois de matar (não muito) as saudades de Lisboa....

Marionetas em Lisboa






FIMFA Lx9
FESTIVAL INTERNACIONAL
DE MARIONETAS
E FORMAS ANIMADAS

7 de Maio a 7 de Junho de 2009

Marionetas ‘okupam’ Lisboa !
A maior edição de sempre do FIMFA!

A marioneta apenas conhece a liberdade que o teatro perdeu.
Ela vira obstinadamente as costas ao real.
Gaston Baty

A marioneta deixou o seu gueto para encontra um lugar de importância na comunidade artística em sentido lato. Podemos falar de um processo de enriquecimento da marioneta. Ela encontra-se a partir de agora no centro da arte contemporânea.
Henryk Jurkowski

A Tarumba-Teatro de Marionetas realiza em Lisboa a 9ª edição do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas – FIMFA Lx, com direcção artística de Luís Vieira. Um projecto renovador e aberto a novas tendências, de dimensão internacional, que pretende promover e divulgar uma área específica de expressão artística: o universo das formas animadas.

Retirado daqui - http://fimfalx.blogspot.com

5 de Maio de 2009

Ninho

Saudades................

...


M. C. Escher "Relativity", 1953

30 de Abril de 2009

Floresta de ferro

24 de Abril de 2009

Uma Gaivota Voava

Em 25 de Abril de 1974 tinha 5 anos e as únicas memórias
nítidas que tenho desse tempo são esta música e de ouvir
o meu pai dizer à minha mãe que se estava a passar alguma
coisa. Tudo o resto são memórias nebulosas.



Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo cualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.


Letra e música: Ermelinda Duarte

13 de Abril de 2009



Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

Sophia de Mello Breyner Andreson
Poesia, Antologia
Moraes Editores, 1970

12 de Abril de 2009

Caminhos cruzados

Texturas (IV)







6 de Abril de 2009

All we need....

Artes de Pesca





Farol do Cabo Sardão

Cães e gatos





A passear pela costa alentejana













Flores e Mar

22 de Março de 2009

E porque...

Dia da Poesia são todos os dias
e a Primavera pode aparecer mesmo no dia mais cinzento

Ontem foi noite de Milonga


Gotan Project : Santa María (del Buen Ayre)

Milonga

Estilo de música tradicional em várias partes da América Latina e na Espanha. Deriva da habanera, assim como o tango. É um estilo muito popular na Argentina.
A milonga originou-se de uma forma de canto e dança da Andaluzia, Espanha, que, nos fins do século XIX, popularizou-se nos subúrbios de Montevidéu e Buenos Aires. No Brasil a milonga tem destaque no estado do Rio Grande do Sul, fazendo parte das tradições gaúchas.
Também são chamados milongas os bailes onde se dança o Tango e, por extensão, aos locais onde esses bailes se realizam. Tradicionalmente, numa milonga baila-se o Tango, a milonga e o vals cruzado, ou vals argentino (uma variante da valsa Vienense). Outros ritmos típicos que se podem encontrar numa milonga, são chacarera e a salsa.

Retirado daqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Milonga

14 de Março de 2009

Em construção





Se fosse uma viagem...




Bom, dispensava a participação num musical!

Se fosse uma música dos U2...

11 de Março de 2009

Porque o dia cheira a Primavera....

8 de Março de 2009

E depois de uma semana de chuva....




Salema


Boca do Rio

5 de Março de 2009

Foi estranho!



Hoje sonhei que estava dentro de um sino como este

Pequenos gestos que podem fazer toda a diferença!

VOTE EARTH 2009

No dia 28 de Março podes votar pela TERRA desligando as luzes durante uma hora entre as
20:30 e as 21:30 (em Portugal).
Ou podes votar pelo aquecimento global, deixando as luzes acesas.

Os resultados das eleições vão ser apresentados na Conferência Global para as alterações
climáticas, em Copenhaga 2009. Queremos 1 bilião de votos para a TERRA, para dizer aos líderes
mundiais que temos de tomar medidas contra o aquecimento global.


www.voteearth2009.org

Para atravessar contigo o deserto do mundo

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto (1962)

19 de Fevereiro de 2009

O naturalismo na pintura portuguesa

"O Aterro"

Alfredo Keil

"Praia de Banhos"

Marques Oliveira

"Praia"

João Vaz


"Praia das Maçãs"

José Malhoa


" A Ceifa"

Silva Porto


"O Grupo do Leão"

Columbano Bordalo Pinheiro

18 de Fevereiro de 2009

Árvore da vida

A não perder!


www.gulbenkian.pt/darwin/home.html

15 de Fevereiro de 2009

Tesouros escondidos

9 de Fevereiro de 2009

Será um peixe, será um pássaro...



M. C. Escher

4 de Fevereiro de 2009

Por mares nunca dantes navegados

3 de Fevereiro de 2009

"As primeiras Flores de Amendoeira"


Foto de Mafalda Nobre

Obrigada!

2 de Fevereiro de 2009

Le Sommeil du Monstre

28 de Janeiro de 2009

Les Cités Imaginaires (VI)


Immortel

Les Cités Imaginaires (V)


La Ville qui n'existait pas

21 de Janeiro de 2009

The day before Springtime

Cuidado com as curvas!!!

18 de Janeiro de 2009

Entre a Planície e o Mar


Corte Pinheiro


3 de Janeiro de 2009

Jacarandá

29 de Dezembro de 2008

Desejos para 2009 (III)



Os amigos sempre por perto

Desejos para 2009 (II)


Eterno renascimento

Desejos para 2009 (I)


Dias claros de céu azul e mar calmo

12 de Dezembro de 2008

Mais uma foto com cheiro!


Troia 2007, Foto de Pedro Barros

Cheiro a mar, a sol e a um dia muito bem passado com amigos.

11 de Dezembro de 2008

Já tenho música!

YES!!!!!!

9 de Dezembro de 2008

....


8 de Dezembro de 2008

Adeus



Foi difícil perceber o porquê
Foi difícil aceitar a verdade
Foi difícil viver com a desilusão
Foi difícil perder um amigo

Porque não eras tu
Porque continua a doer
Porque exijo sempre mais
Porque amizade é confiança

Nunca irás perceber
Nunca te irei explicar
Morremos um para o outro
Mas talvez o sonho de termos existido
um para o outro tenha sido apenas meu.

Adeus meu amigo
Talvez nos encontremos numa outra vida
Esta não era a nossa hora.

Dezembro de 2004
AR

7 de Dezembro de 2008

Caminho para..........

1 de Dezembro de 2008

Parece que.....

Uns dias sou






E outros

28 de Novembro de 2008

"Não se perdeu nenhuma coisa em mim"


Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Moinho de Vento




24 de Novembro de 2008

....






Mais Miaus




23 de Novembro de 2008

MIAU


Em abril chegam os gatos: à frente
o mais antigo, eu tinha
dez anos ou nem isso,
um pequeno tigre que nunca se habituou
às areias do caixote, mas foi quem
primeiro me tomou o coração de assalto.
Veio depois, já em Coimbra, uma gata
que não parava em casa: fornicava
e paria no pinhal, não lhe tive
afeição que durasse, nem ela a merecia,
de tão puta. Só muitos anos
depois entrou em casa, para ser
senhora dela, o pequeno persa
azul. A beleza vira-nos a alma
do avesso e vai-se embora.
Por isso, quem me lambe a ferida
aberta que me deixou a sua morte
é agora uma gatita rafeira e negra
com três ou quatro borradelas de cal
na barriga. É ao sol dos seus olhos
que talvez aqueça as mãos, e partilhe
a leitura do Público ao domingo.

Eugénio de Andrade

11 de Novembro de 2008

and when lights go down...


10 de Novembro de 2008

Natural History Museum




British Museum



9 de Novembro de 2008

Kensington Gardens e Hyde Park






Peter Pan


8 de Novembro de 2008

"The game's afoot"

"London always extracts its price.
(...) London's stories seep out of its walls, rise up from the foundations laid by the Romans two thousand yeares ago, up through its sewers, buried rivers, and tube tunnels, and out through the pavements. They wind their way through twisting alleyways that formed themselves so long ago, before the order of the grid system could be placed upon them. They whisper their secrets through the marketplaces where every language on earth is and has been spoken; every measure of trade haggled over, from fruit and veg to children's lives. They drift up at night from the corrents of Old Father Thames, through the temples of commerce that form the Square Mile, across the halls of Parliament, the Cathedrals laid by Norman Kings, the tunnels dug by Victorian engineers.


Covent Garden - Marketplace


The world's first underground railway (1863).
Listen to London for long enough and the city will impart in your own notion; your own form of navigation through the maps laid down over centuries; your own heart's topography of the metropolis. Your soul blends with the walls and pavements, the tunnels and spires, the street markets and the stock exchanges. But is that notion really your own, or has the suggestion been planted, the story already written long ago? (...)


Cathi Unsworth, in London noir

6 de Novembro de 2008

Passeando por Knightsbridge







Vermelho


"Workers of the world, unite!"


5 de Novembro de 2008

Descer o rio de Westminster a Greenwich













4 de Novembro de 2008

Pela margem...







Torre do Big Ben


Roda


3 de Novembro de 2008

A passear pela cidade...




London Eye


2 de Novembro de 2008

"Our first snow in October since 1934"



28 October 2008
E eu estava lá!

As minhas cidades (V)


10 de Outubro de 2008

Fragmentos


O jardim das delícias......

Se esta foto tivesse cheiro........



Cheirava a pinheiro e a mar num dia quente de verão...

7 de Outubro de 2008

...deliciem-se...


ARTIGO DE NUNO MARKL P/ OS TRINTÕES/QUARENTÕES

A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
'Quem?', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?
A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.

Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.
O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...
E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.

Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!
E pior, nunca caiu de uma. É um mole.
Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.
Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.
Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.
Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.
Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho...
Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.
Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.
No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.

Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.
Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.
E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?
E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.
Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.
Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.
Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.
Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.
É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.'

(Nota: ...os chocolates não eram gamados no 'Pingo Doce'... Ainda se chamava 'Pão de Açúcar'!!!)

Sombras de Pedra


24 de Setembro de 2008

Há festa na aldeia!


18 de Setembro de 2008

Arte em MovIMentO.........


Ou será em construção?

7 de Setembro de 2008

Je m'appelle silence et je suis gentil...


For sam


6 de Setembro de 2008

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O' Neill

4 de Setembro de 2008

que perfeito coração

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neill

Formas


24 de Agosto de 2008

L'important ce n'est pas la chute... c'est l'aterrissage !

21 de Agosto de 2008

as primeiras coisas eram verdes ou azuis

as primeiras coisas eram verdes ou azuis, como água pela cintura;
duras esmeraldas umas, outras animais, vibrantes
quando lhes toca a luz; o mais das vezes encostados
à parede do estábulo, com grandes olhos húmidos
e um precipício ao fundo ( e as nuvens são o seu bafo).
e no entanto, visto à distância exacta, tudo se transforma:
o cenário do mundo é só um infinito espaço
cheios de coisa nenhuma, e a luz o puro efeito
de dois deuses menores que marcam o compasso.

é certo que, na chuva, o teu corpo anuncia
com seu distante olhar, um prazer que não cabe
na estreiteza da fábula; um céu, não duvidemos,
acolhe o terno gesto que não foi.
já na parede a meio branca traço, a contragosto,
o tempo mal passado que apodrece, e numinante encosto
ao tampo de água o bico ou pincel fosco
onde surgira, de repente, nada.

os portões oscilam, e a erva adiante, se nos aproximamos.
claramente vejo como te divides
num infinito número simultâneo de mundos.
as palavras celebram, mudas, a água na paisagem,
verde ou azul, conforme desejaste.
avanço imóvel, descalço sobre a erva,
e quando fecho os olhos invade-me a luz por dentro
compacta, completa, como as coisas primeiras.

António Franco Alexandre

ÁGUA....AR



18 de Agosto de 2008

BRincAr com o VentO






9 de Agosto de 2008

Behind the Door.... The Past, The Future

Sinto um fascínio por portas antigas, especialmente as de madeira . A descoberta do que está para lá delas, para dentro e para fora. A eterna dualidade, in/out.









4 de Agosto de 2008

As minhas Cidades (IV)


HiNo à ViDa

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos,

quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente
quem não viaja,

quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.

Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

28 de Julho de 2008

Porque hoje me apetece dançar.


Alfons Mucha

26 de Julho de 2008

As minhas Cidades (III)


18 de Julho de 2008

Há qualquer coisa que se esconde em ti...







16 de Julho de 2008

EnTe


Ao sabor do vento e do mar........


15 de Julho de 2008

No Comboio Descendente...


14 de Julho de 2008

You've got mail!

No Comboio Descendente...

Da minha janela vejo caminhos antigos, árvores centenárias, vejo os arrozais do Sado pejados de cegonhas e garças brancas. Aqui e ali pequenas represas de água, patos e mais garças.
Vejo gente na lida do campo, que a agricultura não tem fins-de-semana, alguns cavalos, vacas e ovelhas.
Vejo casas, que por estes dias ostentam ainda a bandeira em sinal de um orgulho dito nacional que me custa compreender. Custa-me porque são, provavelmente, muitas destas gentes, que se sentem tão portuguesas na hora de gritar pela selecção, que se esquecessem do seu dito patriotismo quando se trata de preservarem o meio ambiente onde vivem. Porque da minha janela também vejo o mato cheio de lixo. Aterros com os restos daquela casa de banho e daquela cozinha que se reformulou. Daquela parede que foi deitada abaixo para construir mais um quarto. Também lá está o antigo sofá amarelo-torrado, e ali ao fundo o velho frigorifico. Tudo isto se vê da minha janela enquanto o comboio vai descendo desde Lisboa.
Para cá da janela há outras gentes, não mais cívicas que as outras do lado de fora. Aliás, nos dias que correm parece que isso do civismo é coisa rara, diria mesmo produto de excelência, de consumo muito reduzido. Uma espécie de gourmet das relações humanas. Quando na verdade deveria ser um bem de primeira necessidade, vital e livre de impostos.
Agora também vejo a Lua que está quase cheia, e um sentimento amargo percorre todo o meu corpo ao pensar que te perdi sem nunca te ter tido. Talvez nunca vá conseguir dizer-te o que sinto, escondendo-me sempre atrás da máscara que criei. Sou uma farsa! Tão forte e determinada para quase tudo, mas completamente perdida, cheia de medos e dúvidas no que toca aos sentimentos mais profundos, mais íntimos.
Tudo isto vai passando à frente dos meus olhos enquanto o comboio desce, agora pelos campos dourados do meu Alentejo. Daqui a nada entraremos na serra, a minha paixão visceral. O cheiro da esteva e do mato num final de tarde de verão. O cheiro da brisa do mar que a muito custo sobe até estas paragens, as andorinhas e a passarada de mil cores que vão regressando a casa num chilrear ensurdecedor e inebriante. A dormência do fim de tarde nas faldas da serra algarvia. Saudades! Saudades de tempos felizes. De dias claros e noites passadas à conversa, a ver as estrelas, a via láctea, a lua. Parecia tudo mais fácil naquele tempo. O que se perdeu? Onde me perdi? Acho que foi algures entre a razão e sítio nenhum! Quando foi que desaprendi que o amor não conhece a razão, ou então não é amor? Quis controlar os meus sentimentos com medo de sair magoada. Acabei apaixonada e magoada por nunca ter tido coragem para te demonstrar o que sinto.
A lua continua lá no alto. Daqui a uns dias estarás a vê-la cheia, esplendorosa num céu negro como breu ao lado de outra que não eu. Ficará para sempre registada na tua memória.
Entrámos na Serra. O terreno é mais sinuoso, os cerros estão cobertos de sobreiros e azinheiras. Aqui e acolá algumas manchas de eucaliptos, resultantes de consecutivos fogos. Surgem pequenos montes abandonados, alguns, poucos, ainda têm alma. Vagarosamente vamos descendo para uma latitude mais a Sul, onde o mar tem a cor dos teus olhos. O Sol está cada vez mais baixo e vai dourando os cerros. O jogo de luz e sombra é um deleite para a vista. Pequenos vales verdejantes surgem por vezes no horizonte. Terra agreste e tão amada! O xisto aflora e a vegetação parece brotar das pedras. Por vezes um ribeiro, um pego de água.
E o comboio vai descendo
.....

13 de Julho de 2008

Texturas III


12 de Julho de 2008

Nós Outros - Gigantes da areia....

Foto AR

Foto JNM

10 de Julho de 2008

Última metamorfose, ou não......


Texturas II


9 de Julho de 2008

VErmeLhO



Rothko

3 de Julho de 2008

Brown Horse





Foto de João Nuno Marques

1 de Julho de 2008

Blowin' in the Wind

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

The Freewheelin' Bob Dylan, 1963

30 de Junho de 2008

Gods


















Enki Bilal

29 de Junho de 2008

A ilha


Texturas


27 de Junho de 2008

I want you

Fui ver o Filme I'm not There e gostei!Fiquei com vontade de voltar a ouvir Bob Dylan, por isso aqui vai...

26 de Junho de 2008

Cal, Sal, Vida, Morte


Verde e Azul


24 de Junho de 2008

Porque eu sou do tamanho do que vejo...

VII
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.


O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro

Cegonha


23 de Junho de 2008

Ao Entardecer


Branco sobre Azul




















19 de Junho de 2008

Palácio de Cristal, Parque do Retiro (Madrid)


Black or Blue, it's all true...


18 de Junho de 2008

Unpredictable.......





ABOUT THIS BOOK
A black swan is a highly improbable event with three principal characteristics: It is unpredictable; it carries a massive impact; and, after the fact, we concoct an explanation that makes it appear less random, and more predictable, than it was. The astonishing success of Google was a black swan; so was 9/11. For Nassim Nicholas Taleb, black swans underlie almost everything about our world, from the rise of religions to events in our own personal lives.Why do we not acknowledge the phenomenon of black swans until after they occur? Part of the answer, according to Taleb, is that humans are hardwired to learn specifics when they should be focused on generalities. We concentrate on things we already know and time and time again fail to take into consideration what we don’t know. We are, therefore, unable to truly estimate opportunities, too vulnerable to the impulse to simplify, narrate, and categorize, and not open enough to rewarding those who can imagine the “impossible.” (...)

Excerto de uma critica retirada do site: http://www.randomhouse.com/

17 de Junho de 2008

Black Swans


Les Cités Imaginaires (IV)


Calvani, de Francois Schuiten e Benoit Peeters

16 de Junho de 2008

Poetry



Alfons Mucha

Pé ante pé.....


14 de Junho de 2008

O Guardador de Rebanhos


















Foto de Miguel Almeida


II

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


Alberto Caeiro

11 de Junho de 2008

As minhas Cidades (II)


Lisboa

Esta névoa sobre a cidade, o rio, as gaivotas doutros dias, barcos, gente apressada ou com o tempo todo para perder, esta névoa onde começa a luz de Lisboa, rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água, nada mais quero de degrau em degrau.

Eugénio de Andrade

Anjo caído


4 de Junho de 2008

Para ti, e para ti, e também para ti, e ainda para ti...


Para todos aqueles que
me iluminam a alma só
pelo facto de serem como
são. Aos meus amigos

Les Cités Imaginaires (III)













Urbicanda, por François Schuitten e Benoit Peeters

31 de Maio de 2008

Porque vale sempre a pena....

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e que posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."



Fernando Pessoa

28 de Maio de 2008

Estado de Alma: Cloudy



27 de Maio de 2008

Fábulas







"No jardim do Éden havia de tudo: fígado de aves, rinzinhos, carne picada, peixinhos vermelhos e malgas de leite. Mas havia também algo incomestível: "a espinha de peixe proibida", que crescia no meio desse magnífico paraíso terrestre. Um dia, Miau-Miau, a primeira gata, encontrou o diabo disfarçado de rato ..."


Fábula de Veneza

26 de Maio de 2008

As minhas Cidades (I)



Praga

25 de Maio de 2008

Les Cités Imaginaires (II)


Brusel, por François Schuitten e Benoit Peeters

24 de Maio de 2008

Os companheiros do crepúsculo


de François Bourgeon


"Esta durou, diz-se, cem anos...
nada a distinguiu verdadeiramente daquela que a precedeu nem da que se lhe seguiu...
como o granizo ou a peste, a guerra abate-se sobre os campos quando menos se espera, de preferência, quando os trigais estão pesados e as jovens são belas..."

O Sortilégio do Bosque das Brumas
Os Olhos de Estanho da Cidade Glauca
O Ultimo Canto das Malaterre

23 de Maio de 2008

Les Cités Imaginaires (I)



The Invisible Town of Kitezh (1913) de Konstantin Gorbatov

Bleu Sang



Enki Bilal

22 de Maio de 2008

Caminho

21 de Maio de 2008

Red Rose


Shadows


20 de Maio de 2008

Matar a imagem

Durante meses, um vampiro visitara-a todas as noites e sugara-lhe o sangue até ao amanhecer.Acordava continuamente, não de sonhos mas de pensamentos desconexos; na sua mente, no seu corpo, as personagens, os quadros, as situações, estilhaçavam-se e feriam-na como pedaços de vidro.

Era como se a história a devorasse o tempo todo. Os dias eram feitos de manhãs no café, o bloco de notas ao lado do jornal, frases incertas anotadas na escuridão do cinema, a máquina de escrever e os dedos magoados, a depressão violenta ao ir para a cama.

Naquela manhã, despertou com uma estranha sensação de vazio. Dormira a noite toda, não se lembrava dos sonhos, dormira mesmo, profundamente. O vampiro não estivera ali. Riu baixinho das conotações eróticas da ideia do vampiro. O Woody Allen escrevera uma história de vampiros. Brincou por instantes com a fantasia de fazer o mesmo.

De repente, lembrou-se de algo e soergueu-se na cama. Não havia cadernos e folhas espalhados na secretária, a máquina estava tapada, o cinzeiro a abarrotar... Terminara o livro. Terminara-o na noite anterior e guardara as folhas dactilografadas na gaveta e... os seres fantasmagóricos que tinham vivido naquele quarto durante tanto tempo tinham ido embora.

Afastou a roupa e ficou por instantes a olhar as pernas longas e delgadas. Pensou vagamente que precisava de apanhar sol. Depois levantou-se e caminhou descalça para a secretária. Pôs os dedos na gaveta, devagarinho, mas não a abriu. Estremeceu com a ideia de reler uma única página. Com passos lentos, aproximou-se da janela.

A manhã azul de Lisboa atrás dos edifícios cinzentos e incaracterísticos. As árvores já tinham folhas, já deviam tê-las há meses, mas ela não o notara. Era como se não visse nada daquilo Há muito tempo, como se tivesse estado longe, muito longe. E estivera.

– Na quinta dimensão – murmurou, com o rosto contraído.O relógio na mesa-de-cabeceira marcava nove e cinco.

O que queria dizer que faltavam dois minutos para as nove. Ligou o rádio. Ouviu a voz de Leonard Cohen, numa canção antiga de que gostava muito:

just take this longing from my tongue
and all the useless thing my hands have done

As palavras entraram nela, uma a uma, tocando fundo. E então a depressão chegou, violenta, gelada, e ela encolheu-se um pouco, numa atitude de defesa.

Estava só. As personagens com as quais vivera ultimamente tinham partido e ela estava só. Ficara um monte de folhas dentro de uma gaveta, folhas que ela não tinha coragem de reler. Que mandaria para uma editora qualquer e seriam inevitavelmente devolvidas, como acontecera com as precedentes.

Estar só era também sentir que a sua vida não fazia qualquer sentido para os que viviam à sua volta. Mas isto era pior. Os momentos em que a sua vida não fazia qualquer sentido para ela própria.

all the useless thing my hands have done

fez a cama, ou antes, puxou descuidadamente para cima os lençóis brancos e a colcha azul. Encostou à almofada o Vítor, o boneco vagabundo, de capa com remendos e uma corda amarrada à volta do chapéu. Quando o comprara, pensara que era um palhaço, mas não, era um vagabundo, ou talvez um palhaço vagabundo, de grandes olhos azuis e cabelos cinzentos.

Foi tomar um duche. A água quente e o perfume verde do gel de banho fizeram-na sentir-se um pouco melhor. Quando voltou, o locutor dizia a temperatura máxima prevista para Lisboa: vinte graus.

Vestiu uns jeans, uma blusa verde de manga comprida. Não usava qualquer jóia, nem relógio de pulso. Passou um pouco de água-de-colónia no pescoço.

Penteou-se à frente do espelho, estudando o rosto bonito, de olhos claros, o cabelo quase louro que lhe chegava aos ombros, o sinalzinho na ponta do nariz, à volta dos olhos começavam a surgir rugas pequeninas. Fechou-os com força, matando a imagem que detestava profundamente.


in Matar a imagem, de Ana Teresa Pereira

A Ponte é uma passagem ....



19 de Maio de 2008

Para ti...


Talvez seja possível amar...

Talvez seja possível amar uma mulher por causa de um livro, de um poema sublinhado, de um filme a preto e branco, de uma casa, do olhar de um homem quando fala dela, da forma como o seu cão a espera. Da reprodução de um Mondrian na parede da sala.
Byrne afastou-se da janela entreaberta e sentou-se na cama. Olhou em volta sentindo-se um pouco perdido. Era a véspera de Natal e começara a nevar dois dias antes. A árvore em Trafalgar Square, as luzes nas ruas, um frio áspero que entrava pela casa; em cima da secretária a garrafa de whisky e o copo, dois livros de Iris Murdoch, The Good Apprentice e Nuns and Soldiers, um cinzeiro e a cigarreira castanha. O sótão tinha o tamanho da casa, o tecto era um pouco baixo mas entrava muita luz, duas janelas davam para o jardim, outras duas para a rua. Num dos extremos estava a cama, coberta pelo edredão azul, a mesa-de-cabeceira e um armário com um espelho, no outro uma secretária e uma estante, um velho sofá de cabedal preto onde gostava de deitar-se a ler, a fumar ou a olhar para o tecto, algumas reproduções de quadros que comprara na Tate. Uma porta de madeira comunicava com a casa de banho. Era um dos espaços mais agradáveis em que vivera, e vivera em muitos, se abrisse uma das janelas do lado da rua tinha os sons e a animação de New Row, os cafés, os restaurantes, as discotecas, os vendedores de castanhas, se abrisse uma das outras tinha a visão de traseiras de edifícios e em baixo o jardim coberto de neve, as árvores, os arbustos e o pavilhão ao fundo. Ele gostava do silêncio da casa onde não vivia mais ninguém, embora por vezes tivesse a impressão de sentir uma presença, a impressão era tão forte que o fazia voltar para trás na penumbra dos corredores, levantar os olhos do jornal enquanto tomava o pequeno almoça na mesa da cozinha. A cozinha era um dos compartimentos que usava no rés-do-chão, era ampla, acolhedora e tinha uma porta e uma janela que davam para o jardim; viam-se ramos secos no peitoril que talvez fossem lilases, se ainda estivesse ali na primavera seria bom sentir o cheiro das flores misturado com o frio a entrar pela janela aberta.
Levantava-se sempre cedo, mesmo quando bebia demasiado na noite anterior, era um velho hábito dos tempos de Oxford, saía ainda estremunhado para comprar os jornais e pão fresco, fazia café na cozinha, sentava-se à mesa coberta por uma toalha de quadrados vermelhos e brancos que o fazia lembrar-se de quadros de Bonnard, tomava o pequeno-almoço e folheava os jornais, depois dava um passeio até ao rio, procurava um banco quando não estava a chover, um café quando estava, e lia um bocado. Estava a reler todos os livros de Iris, por uma ordem muito pessoal. Começara com The Time of the Angels, que já relera entretanto, era um dos mais importantes, depois continuara com An Accidental Man e The Philosopher's Pupil, dois livros que estavam ligados um ao outro. Comia qualquer coisa num pub e regressava a casa antes das duas da tarde, escrevia um pouco sentado à mesa da cozinha, com a janela aberta, e depois deitava-se no sofá do sótão e continuava a ler, até por volta das sete. Então saía para jantar e tomar uns copos, encontrava-se com amigos, voltava muito tarde.
Byrne ia muitas vezes à National Gallery ver os quadros preferidos de Iris: A Morte de Actéon, Bacchus e Ariadne, Noli me Tangere de Ticiano; a Alegoria com Vénus e Cupido de Bronzino, Hendrickje Banhando-se num Rio de Rembrandt, As Filhas do Pintor Perseguindo uma Borboleta de Thomas Gainsborough, O Baptismo de Cristo de Piero na cave. E havia Andrea del Sarto, e Turner. No domingo de manhã ia à Tate para ver os esboços de Turner ou à Tate Modern para ver os Bonnard e os Mondrian; não sabia o que ela pensava de Mondrian. E, de vez em quando, ia em peregrinação visitar o retrato dela na Portrait Gallery, gostava de ver-se reflectido no vidro do quadro, Iris e Gabriel, ambos tinham nomes de mensageiros e olhos muito azuis, ambos procuravam qualquer coisa, tinha o pressentimento de que procuravam o mesmo, de que ela estivera muito próximo. E os deuses não a deixaram continuar. Mas se chegasse ao ponto onde ela chegara, e desse mais um passo... O pensamento fazia-o sorrir, o homem de cinquenta e dois anos não era assim tão diferente do rapaz de vinte que começara a estudar filosofia, ou o de vinte e cinco que deixara Londres à procura... ou o homem de quarenta e cinco que voltara à Inglaterra cansado, retomara a carreira universitária e agora tirara um ano sabático para escrever um livro sobre Iris Murdoch.
Desde o princípio resolvera escrever o livro em Londres, pensara em alugar um apartamento, depois Ed falara-lhe da casa. Era quase impossível encontrar um lugar para viver naquelas ruas, onde só havia comércio e restaurantes, perto da National Gallery, dos teatros, dos alfarrabistas. A casa pertencia a uma amiga de Ed, ele mesmo tratara de tudo. E Byrne instalara-se quase sem acreditar na sua sorte, a casa era perfeita e não tinha de dividi-la com ninguém, pelo menos ainda não aparecera ninguém, no primeiro andar os quartos estavam fechados, no rés-do-chão podia usar a cozinha e a sala, que dava para a rua.
Era um compartimento um pouco escuro, o tapete tinha rosas pequeninas, esbatidas, as estantes estavam mal arrumadas, livros e pedras, algumas conchas, os sofás eram antigos e confortáveis, os cortinados de veludo cor de ameixa; a reprodução do Mondrian na parede, dois quadros, duas paisagens de neve com assinatura ilegível que lhe pareceram muito bons. Era na sala que encontrava mais vestígios da dona da casa. Ed dissera-lhe o nome dela, Ashley, Ashley Grey, e Byrne não fizera perguntas, imaginara uma mulher idosa, sem saber porquê, não era muito importante. Mas depois começara a interessar-se por ela, o Mondrian sozinho na parede da sala, aquela presença estranha na casa, como se a mulher estivesse morta e vagueasse por ali. E os livros: romances do século XIX, Dickens, James, as Brontë, álbuns de arte, pintores italianos e impressionistas, alguns volumes de poesia, Donne, Milton, os poemas de Rupert Brooke, um poema sublinhado, «the great lover». E junto ao aparelho de televisão havia uma estante com vídeos, documentários sobre pintores, alguns filmes antigos, um deles ficara abandonado no chão debaixo da mesa e vira-o uma tarde, um filme a preto e branco de Vincente Minnelli, com Katharine Hepburn e Robert Mitchum. Talvez seja possível amar um homem por causa de um livro, de um poema de Stevenson, «my house, they say», dos olhos de uma mulher quando fala dele, da forma como o seu cão o espera.
in Se nos encontrarmos de novo de Ana Teresa Pereira

17 de Maio de 2008

Pela preservação da Floresta



A "Tree Parade 2008" irá animar o Terreiro do Paço até 05 de Junho, seguindo depois para o Porto, Coimbra e Évora, encerrando a 27 de Julho.

Tree Parade' 08



Sei de um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar